O trabalho tem como objetivo exemplificar como se deu à criação do Homem-Aranha, e como o herói se diferencia físicas, emocionais e psicológicas dos outros personagens. Mostrando também como as histórias do Homem-Aranha, apresentam um novo tipo de herói um personagem com problemas parecidos com o de um humano comum.
Antes de começar a falar do personagem, é pertinente apresentar seus criadores, pois o Homem-Aranha não seria nada se não fossem seus criadores, homens que tiveram imaginação e sensibilidade para criarem um personagem tão humano e ao mesmo tempo tão espetacular.
Em 1922 em Nova Iorque, nasceu aquele que viria a ser um dos ícones das HQ’s Stanley Martin Lieber ou simplesmente Stan Lee como ficou mais conhecido. Em 1939 com 16 anos, atendeu a um anúncio de emprego na Editora Timely Comics (que viria a se tornar a atual Marvel Comics). Iniciou como assistente com o objetivo de segundo ele “ganhar experiência e depois achar um emprego de verdade” (DVD extra do filme do Homem-Aranha), onde permanece há mais de 60 anos.
Lee trabalhou como um escritor qualquer, sem se destacar até a década de 60, quando pôs em prática suas idéias inovadoras. “Seguindo o conselho de minha esposa, passei a escrever histórias a meu modo, esperando ser despedido por causa disto” (Revista Homem-Aranha n° 79, 1990 – entrevista com Stan Lee). Criou com isso um novo foco para histórias de super heróis, tecendo cuidadosamente as histórias em forma de novelas, criando o que hoje é conhecido entre os leitores de “Universo Marvel”, em que os fatos se interligam entre os personagens em cidades reais, facilitando para o leitor a identificação de onde se passam as histórias. O destaque foi tanto que Lee logo deixou de ser um escritor desconhecido para se tornar um dos maiores nomes das HQ’s, chegando ao cargo de diretor da Marvel em 1972 e diretor da Marvel Productions em Hollywood em 1987.
Ao longo da carreira, Lee teve muitos parceiros, mas quem o ajudou na criação do Homem-Aranha foram Jack Kirby e Steve Dikto, desenhistas de grande destaque que também foram muito importantes na criação e consolidação do “Universo Marvel”.
Jack Kirby nasceu em 1917, nos Estados Unidos, começou em 1939 desenhando tiras de jornal. Steve Dikto nasceu na cidade de Johnstown, no estado da Pennsylvania nos Estados Unidos em 1927, teve sua estréia com histórias de terror para editoras pequenas a partir de 1953.
Em 1962 Lee criou o Homem-Aranha e pediu a seus amigos que desenhem um novo tipo de herói, “cheguei a passar o Homem Aranha paras o Kirby e pedi que ele maneirasse um pouco no desenho, nada muito glamouroso. Queria que o personagem fosse um cara normal, sem ombros largos, meio fraco e com óculos. Mas na versão de kirby parecia um novo Capitão América” (Revista Homem-Aranha n° 79, 1990 – entrevista com Stan Lee). Assim se fez o personagem, criando um dos maiores símbolos das HQ’s de todos os tempos, apresentando um personagem com problemas reais, mostrando as preocupações de um adolescente normal, “O Aranhudo é um ícone da cultura pop, e com justiça. Peter Parker é um personagem fascinante, atormentado, bem tipicamente teen” (Aronovich, 2002), um personagem tão fascinante que aparece entre os primeiros em vendagem no mundo.
Figura 06. Primeiro esboço do Homem-Aranha.
Fonte: www.omelete.com.br/ homem-aranha.asp, 2004.
A popularidade do personagem é tanta que em 2001 foi lançado o filme que retrata as aventuras do herói, que segundo a Revista Istoé, foi um grande recordista de vendagem como já foi mostrado no capitulo anterior, quase se igualando com o grande recordista de publico e critica, Titanic, mostrando o quanto o personagem e admirado pelos fãs. Deixa claro também o poder que o personagem tem de criar novos fãs e que as HQ’s estão abertas a um novo publico, ou seja aqueles que não liam as HQ’s começaram a se render ao magnetismo dos heróis.
As primeiras histórias do Homem-Aranha retratam a adolescência de Peter Parker, órfão de pai e mãe, criado pelos tios, um garoto tímido e retraído, sempre foi “Inteligente, se destacou na escola, mas também sempre foi renegado pelos colegas” (Petfriends, 2002), magro de óculos sem o estereótipo de um herói de quadrinhos (alto, forte e de ombros largos).
Peter, que por ser fanático por ciência, acabou picado, por acaso, por uma aranha bombardeada por radiação durante um experimento que ele assistia. Essa picada ocasional conferiu lhe poderes de uma Aranha (força, agilidade, aderência às paredes e um sentido aguçado de prever perigos). Ao descobrir estes poderes, Peter pensou em fama e dinheiro, mas a morte de seu tio nas mãos de um assaltante que Peter deixou fugir mudou isso. Peter decidiu criar a identidade do Homem-Aranha, passando a lutar contra o crime.
Como Homem-Aranha está sempre tentando ajudar e quase sempre é confundido com um bandido. Como Peter Parker, sua vida ainda passa por muitos problemas, tendo que se ausentar em todas as ocasiões de perigo e muitas vezes sendo chamado de covarde, enquanto seu alter ego salva a sociedade.
Segundo Álvaro de Moya (Moya, 1977, p. 171), nas primeiras HQ’s, o herói não podia falhar, no caso do Homem-Aranha, toda vez em que falha, em sua vida de herói, o personagem acaba num mar de culpa, mostrando que errar é humano e também que por mais que tenham poderes espetaculares os heróis não são perfeitos.
Colocando sempre o herói entre salvar a vida de sua tia doente (a única pessoa com que ele não pode falhar por ser quem o criou dando tudo em prol do seu crescimento), sempre aparece algum inimigo querendo vingança ou ameaçando a cidade, colocando o herói em conflito interno, pois, se ele deixar o vilão fugir, muitos sofrerão e, se ele impedir o vilão sua tia morrerá, como pode ser visto na figura, entre outros, mostrando as preocupações na vida do herói, coisa que antes da década de 60, não era visto. Até a década de 60, o herói não tinha família e só vivia para ser herói. Como escreveu Álvaro de Moya, “os heróis estavam mais para a aventura do que para qualquer outra coisa” (Moya, 1977, p. 171), o mocinho não tinha namorada ou esposa, mas tinha paixão platônica geralmente por uma personagem que admirava a roupa do herói, mas desprezava o ser humano que a vestia, ou vice versa, (Teia do Aranha n° 42, 1993, p. 01).
Figura 07. A escolha do herói, salvar a família ou a cidade.
Fonte: Teia do Aranha n° 42, 1993, p. 01
Colocando o herói como o ser santificado que não poderia ser maculado por experiências mundanas, ainda poderia ter sentimentos sinceros e nobres, que não poderia concretizar, pois seria colocar sua amada em risco. Tinha poucos amigos geralmente um amigo que sabia seu segredo, e juntamente com a pessoa amada era usada regularmente contra o herói que tem que salvar seus entes queridos e seu segredo ao mesmo tempo.
O Homem-Aranha é um dos poucos personagens que têm família, que passa por problemas com seus parentes e namorada, por não poder comparecer em seus compromissos e não ter como explicar seus sumiços. Tem que se preocupar com dinheiro e suas contas e ainda está sempre perdendo emprego e perdendo aulas no colégio e posteriormente na faculdade, mostrando os problemas reais de qualquer ser humano, pois o que acontece no mundo acaba se refletindo nas HQ’s. Com este estereótipo de herói e por acaso, um bom aluno sem popularidade e órfão que ainda não achou seu lugar no mundo, começou as mirabolantes aventuras do Homem-Aranha.
Mostrando o lado humano do herói, as histórias foram cheias de dilemas para o personagem resolver, mostrando uma dualidade entre o herói e o humano, tendo que escolher entre salvar uma vida ou salvar a cidade. Segundo o próprio Stan Lee, “uma das coisas mais interessantes do personagem é este sentimento de culpa que ele carrega” (DVD extra do filme), pois este sentimento de culpa aproxima o personagem dos seres humanos, mostrando que o herói não é perfeito e que este sentimento de culpa o mantém no caminho de herói e repetindo que grandes poderes traz grandes responsabilidades. Este seria um dos ensinamentos do seu tio que morreu pelas mãos de um bandido que ele deixou escapar e que leva o personagem a se balançar pela cidade fazendo o bem e protegendo a propriedade. A preocupação do herói em não falhar e toda sua culpa por ter poderes e ainda assim não conseguir salvar a todos, como se fosse culpado por que tem poderes, pode ser visto na figura abaixo.
Figura 08. O sentimento de culpa do herói.
Fonte: Teia do Aranha n° 22, 1991, p.43.
Diferentemente de outros heróis de quadrinhos, o Homem-Aranha é um personagem preocupado com os problemas reais da cidade e não com os inimigos da nação, como Capitão América que vai para guerra lutar contra os nazistas. O Homem-Aranha luta contra os ladrões de banco, batedores de carteira e os inimigos da lei e da ordem. Protege a cidade como um vigilante uniformizado como a polícia. Leva as cores da bandeira, mostrando um sentimento patriótico e está disposto a defender a honra do país. Seus autores mostram, através dos olhos do personagem, suas preocupações com a sociedade e também usam as HQ’s para protestar contra os problemas que assolam a nação, como preconceitos, violência, drogas e, principalmente, problemas das armas dentro das cidades. Isso mostra que os autores têm uma visão de mundo, informados dos acontecimentos sociais e políticos, como deixa claro Lee em sua entrevista para a Revista Homem-Aranha (n° 79): “Temos que estar sempre alerta aos problemas do terrorismo, da miséria e do crime”, (Homem-Aranha n° 79, 1990 – entrevista com Stan Lee).
Observa também as tendências da moda e o comportamento dos jovens e adolescentes, mostrando que histórias em quadrinhos também é informação. Deixa claro que isso não é perda de tempo e sim um formador de opinião, que sutilmente alarga o leque de conhecimentos dos leitores sobre outras culturas e ampliando no leitor a visão de realidade.
O Homem-Aranha surgiu em um contexto de rebeldia juvenil e de um clamor de paz por parte dos jovens. Neste período, os Estados Unidos eram assolados por protestos contra o racismo, contra as guerras e principalmente pela liberdade de pensamento e expressão. Esse período conturbado também fez parte do cotidiano das HQ’s e nas histórias do Homem-Aranha não foi diferente. Por mais que o herói seja um personagem cotidiano, as guerras acabam sendo citadas em suas aventuras, pois acima de tudo as HQ’s ainda são uma forma de mídia que também tem o papel de informar.
Nas HQ’s do Homem-Aranha, tem se claramente a preocupação do autor em colocar o personagem em situações de protesto, mas fazendo o leitor ter uma visão de fora, colocando o personagem a favor da situação, mas nunca podendo participar ativamente, já que sempre aparece um vilão para se aproveitar da ocasião e cometer algum ato de contravenção e o herói tem que impedi-lo, como fica exemplificado em Teia Do Aranha (n° 06 ao 09). Nesta história, os colegas de Peter Parker se mobilizam para pedir a construção de um alojamento para estudantes carentes e fazem um protesto em frente a uma exposição de arte promovida pelo campus. Mas, durante a manifestação, um dos inimigos do Homem-Aranha ataca a exposição e rouba um valioso artefato e os estudantes acabam presos acusados de cumplicidade e Peter Parker tem que salvar a todos como o Homem-Aranha mas para isso Peter tem de desaparecendo quando o inimigo chega e acaba passando por covarde perante seus amigos para poder salvá-los.
Os autores enfocam preocupações da época mostrando por exemplo um dialogo entre Joe Robertson e Randy Robertson dois personagens secundários afro-americanos, na Revista Teia Do Aranha:
Joe Robertson argumenta com o filho Randy: Eu nunca interferi nas suas decisões, mas quando o assunto é sair da escola, aí é diferente! Um homem sem estudo e como..., e o filho interfere: Já sei! Já sei! Mas de que adianta ter sucesso num mundo de brancos? Então o pai diz: Você quer ser um militante...ótimo! Talvez a gente precise disso! Mas o nome do jogo é poder, filho e o estudo é o maior poder de todos! Eu quero o melhor pro meu povo...o melhor pra você! Há uma guerra lá fora, meu filho uma guerra contra o fanatismo, à injustiça e a miséria! É preciso armas pra entrar numa guerra! Sem estudo...você é um soldado desarmado! O filho responde: Olha pai, eu entendo isso tudo...e sei que você venceu aqui no mundo dos brancos! Mas e os outros irmãos que seguiram o teu caminho...que pegaram o canudo...e nada? E o pai responde: Eu não estava prometendo uma utopia!(Teia do Aranha n ° 08, 1990, pp. 36 e 37)
Neste contexto da questão racial, os autores criam um diálogo entre pai e filho que não teria relevância nenhuma no contexto da história, mas o autor faz um alerta sobre o problema racial que assolava a época, também faz um alerta de que as coisas não se resolvem com violência e que a maior arma do ser humano não são as armas ou os super poderes e sim o estudo e o conhecimento. Alerta também que com estudo se podem achar soluções para os problemas e, ao mesmo tempo, faz um alerta para os leitores não pensarem que a violência exposta na época seria o melhor caminho, mostrando sutilmente os problemas da época e também os problemas da educação nos dias de hoje.
Os autores às vezes põem o herói de lado, como foi mostrado, e abordam os problemas do cotidiano, deixando o leitor com mais afinidade com o personagem, pois, como um adolescente normal, ele não tem todas as respostas e não tem que resolver todos os problemas, mas o autor se preocupa em inserir isso em um ambiente familiar ao leitor.
Muitas vezes o herói fica como coadjuvante neste tipo de situação, pois o autor não poderia influenciar a opinião dos leitores, ou seja, expõem a situação do dia-a-dia para que o leitor as identifique e formule sua opinião. Se o herói aparece lutando diretamente contra algo, está sugerindo que aquilo é errado, mas, em uma situação como a que foi citada acima, o certo e o errado não estariam nas mãos do autor por ser uma questão de valores. Essa preocupação em não influenciar a opinião do leitor fica explicitada na entrevista de Stan Lee para a Revista Homem-Aranha (n° 79). “Tentei evitar opiniões pessoais que pudessem influenciar as crianças. Nunca discuti religião ou política” (Revista Homem-Aranha n° 79, 1990 – entrevista com Stan Lee), onde ele deixa bem clara está preocupação.
Em outras situações, o herói tem umas abordagens mais claras, lutando diretamente contra problemas sociais como é mostrando na Revista Teia Do Aranha (n° 17), onde o personagem evita uma rebelião e nota os problemas de infra-estrutura enfrentados pelos detentos notando que as rebeliões se tornariam freqüentes se as coisas não mudassem. O herói faz um apelo à sociedade por meio de um programa de teve:
“Agora que tenho audiência cativa quero falar sobre outros cativos! Estou me referindo aos prisioneiros, trancados em nossas velhas e mal cuidadas prisões! Falo dos jovens infratores que são colocados junto a criminosos reincidentes... Falo do antiquado sistema que transforma as prisões em escolas do crime...Falo de homens trancados meses a espera de julgamento por falta de juizes e por insuficiência de tribunais...Crime e justiça são um problema de todos e precisam ser resolvidos antes que seja tarde demais”,(Teia do Aranha n° 17, 1991, pp. 20 e 21).
Vê-se que mostra preocupação do autor com este problema e também anuncia através do herói, que este seria um problema eminente para a sociedade, deixando claro para o leitor a realidade e a necessidade de mudanças para o sistema penitenciário, um alerta que não foi ouvido no Brasil, pois o sistema carcerário continua com sérios problemas e com super lotação.
Outro exemplo desta preocupação para com o futuro nas HQ’s é mostrada em Homem-Aranha (n° 42). Nesta história, dois adolescentes armados invadem uma loja e o dono mata um deles. A história gira em torno do problema das armas na cidade, os personagens Peter Parker, Lance e Joe Robertson discutem a questão das armas:
Robertson: “...que fotos, Peter! Lance: Gostaria de estar lá pra tirá-las! Peter: Não, Lance! Você não gostaria! Pode crer que não! Lance: não estou entendo o seu drama, Peter! Um velho atirou num assaltante que invadiu a loja dele! E daí? Robertson: o assaltante era apenas um menino! Lance: mas ele estava armado! Robertson: os dois estavam armados, Lance...esse e o problema! Talvez se eles não tivessem uma arma, o garoto não teria coragem de entrar na loja...e o velho teria telefonado para a policia em vez de atirar! Lance: são apenas suposições Robbie! Você acha que ninguém deveria ter permissão de usar armas? Robertson: não ! Aceito que a policia e as forças armadas usem armas, desde que saibam usá-las! Mas estatísticas mostram que mais de trezentos mil crimes foram cometidos com armas de fogo! Lance: as pessoas estão se armando pra se proteger! Robertson: Nos pagamos impostos pro governo nos proteger, Lance! Imagine o caos que seria se cada cidadão possuísse uma arma e resolvesse fazer justiça por si mesmo! Peter: isso sem contar que a maioria dos homicídios acontece entre famílias e amigos...! Robertson: não esquecendo as crianças...? Peter: crianças? Robertson: sim, Peter, as armas são responsáveis por muitas mortes de crianças! Por esse motivo há quem defenda a proibição de suas vendas pra particulares! Lance: proibição? Mas, e se um bandido invade sua casa, como você vai proteger sua família? Robertson: a coisa não e bem assim, Lance! Um revolver não significa necessariamente segurança! O que precisamos e de uma policia bem estruturada e que funcione! Peter: mas o povo não acredita na policia, Robbie! A imagem que vazem dela e a de que e corrupta! Robertson: Não podemos julgar o todo por uns poucos, Peter! Precisamos mostrar a população que através de pressão podemos ter uma policia integra confiável e, principalmente preventiva! Lance: mas os criminosos sempre encontraram um meio de ter uma arma! Peter: e aquele garoto, Robbie ?”, (Homem-Aranha, n° 42, 1986, pp. 06, 07 e 08).
Novamente o autor mostra preocupação com a situação do mundo e principalmente com o problema do armamento, uma preocupação muito vigente ainda hoje. No decorrer da história, aparecem cenas de acidentes ocorridos com armas e o herói lutando contra as armas, levando ao leitor informações e dados sobre os problemas causados pelas armas de fogo. A guerra do Vietnã é mostrada de uma forma como o herói não participa do conflito, um dos colegas de Peter Parker vai para guerra mostrando a preocupação com a guerra. Durante o período de guerra, o personagem que vai para guerra é citado por meio de flashs, ou em uma história. Ele envia uma carta para os colegas mandando notícias, em outra história flashs durante uma perseguição mostram fatos vividos pelo personagem, em um bombardeio onde é retrata a destruição de um templo, fazendo-se uma crítica às atrocidades cometidas pelas tropas americanas durante o conflito.(Teia do Aranha n° 20, 1991).
Isto é uma das preocupações do autor com a guerra, que acaba por expor nas aventuras do herói as influências e a insatisfação do autor para com as mobilizações de guerra.
Por ser um personagem tão cotidiano, o Homem-Aranha arrasta uma legião de fãs em suas mirabolantes aventuras, colocando o leitor em contato com situações emocionantes, dramáticas e ao mesmo tempo engraçadas. Expõe o sarcasmo e o deboche do personagem aproximando a ficção da realidade, diferenciando o Homem-Aranha dos outros heróis, aqueles que só vivem para ser herói. Na figura abaixo fica retratado todo o sarcasmo e o deboche do personagem, pois nesta história o herói e indagado pelo exercito onde estaria o Hulk e o personagem responde que isso não aconteceria com Clark Kent (o Super-Man), fazendo uma clara alusão a um personagem da editora rival, personagem esse que é considerado pelos fãs um símbolo americano.
Figura 09. O sarcasmo do Homem-Aranha.
Fonte: Teia do Aranha n° 23, 1991, p. 30
O Homem-Aranha expõe para seu leitor que um herói pode sentir medo, falhar e duvidar de si mesmo. Mostra ao leitor que o herói também pode ter família, se preocupa com aluguel e com trabalho, que e acima de tudo o herói e humano, mas um humano de um mundo de ficção, com problemas parecidos com os nossos e, por isso, o Homem-Aranha é um herói diferente, ou seja um novo tipo de herói.
Em resumo fica clara a preocupação dos autores em demonstrar através das aventuras do herói, problemas cotidianos, e preocupações com a sociedade, dando ênfase aos apelos culturais incrustada nas histórias do Homem-Aranha. Expõem que as HQ’s são um comunicador de massas, e formador de opinião sem forçar o leitor e deixando que o leitor assimile as informações e tire suas próprias conclusões.