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sábado, 7 de maio de 2011

Homenagem às mães!!!

Olá caros amigos Nerds, desculpa ausência, mas estamos de volta, e hoje temos uma homenagem especial para o dia das mães, pois sem elas Nerd nem existiria, e também se não fosse o seu apoio para as nossas curiosidades não estaríamos aqui. Mãe é um porto seguro onde todos podemos nos aconchegar, e nos reerguer quando o mundo nos derruba e também nos emocionar e dividir nossos feitos. Eu posso dizer que sou uma pessoa que tive varias mães no meu caminho de crescimento físico e intelectual, minha mãe Odete que me deu a vida, amor e me ensinou valores e a quem agradeço tudo que sou te amo minha mãe. Minha avó Desuita quem sempre foi um exemplo de força e de amor incondicional ao próximo. A Dirlete e dona Laura que me acolheram como um filho em alguns dos momentos mais difíceis e também nos momentos mais felizes. A todas vocês mais e principalmente as minhas mães deixo aqui meu carinho e abraço, pois sei que ser mãe de Nerd não deve ser fácil, pois com nosso mundo próprio nem todos nos entendem o que somos, tem que ser super mãe pra nos entender aceitar e amar, milhões de beijos a todas.
Homenagem às mães
Mãe, amor sincero sem exagero.
Maior que o teu amor, só o amor de Deus...
És uma árvore fecunda, que germina um novo ser.
Teus filhos, mais que frutos, são parte de você...

És capaz de doar a própria vida para salva-los.
E muito não te valorizam...
Quando crescem de ti esquecem.
São poucos, os que reconhecem...

Mas, Deus nunca lhe esquecerá.
E abençoará tudo que fizerdes aos seus...
Peço ao Pai Criador que abençoe você.
Um filho precisa ver o risco que é ser mãe...
Tudo é cirurgia, mas ela aceita com alegria.
O filho que vai nascer...

Obrigado é muito pouco, presente não é tudo.
Mas, o reconhecimento, isso! Sim, é pra valer...
Meus sinceros agradecimentos por este momento.
Maio, mês referente às mães, embora é bom lembrar...
Dia das mães, que alegria é todo dia.

quinta-feira, 10 de março de 2011

0 Homem Aranha: Um Novo Tipo De Herói

O trabalho tem como objetivo exemplificar como se deu à criação do  Homem-Aranha, e como o herói se diferencia físicas, emocionais e psicológicas dos outros personagens. Mostrando também como as histórias do Homem-Aranha, apresentam um novo tipo de herói um personagem com problemas parecidos com o de um humano comum.
Antes de começar a falar do personagem, é pertinente apresentar seus criadores, pois o Homem-Aranha não seria nada se não fossem seus criadores, homens que tiveram imaginação e sensibilidade para criarem um personagem tão humano e ao mesmo tempo tão espetacular.
Em 1922 em Nova Iorque, nasceu aquele que viria a ser um dos ícones das HQ’s Stanley Martin Lieber ou simplesmente Stan Lee como ficou mais conhecido. Em  1939 com 16 anos, atendeu a um anúncio de emprego na Editora Timely Comics (que viria a se tornar a atual Marvel Comics). Iniciou como assistente com o objetivo de segundo ele “ganhar experiência e depois achar um emprego de verdade” (DVD extra do filme do Homem-Aranha), onde permanece há mais de 60 anos.
Lee trabalhou como um escritor qualquer, sem se destacar até a década de 60, quando  pôs em prática suas idéias inovadoras. “Seguindo o conselho de minha esposa, passei a escrever histórias a meu modo, esperando ser despedido por causa disto” (Revista Homem-Aranha n° 79, 1990 – entrevista com Stan Lee). Criou com isso um novo foco para histórias de super heróis, tecendo cuidadosamente as histórias em forma de novelas, criando o que hoje é conhecido entre os leitores de “Universo Marvel”, em que os fatos se interligam entre os personagens em cidades reais, facilitando para o leitor a identificação de onde se passam as histórias. O destaque foi tanto que Lee logo deixou de ser um escritor desconhecido para se tornar um dos maiores nomes das HQ’s, chegando ao cargo de diretor da Marvel em 1972 e diretor da Marvel Productions em Hollywood em 1987.
Ao longo da carreira, Lee teve muitos parceiros, mas quem o ajudou na criação do Homem-Aranha foram Jack Kirby e Steve Dikto, desenhistas de grande destaque que também foram muito importantes na criação e consolidação do “Universo Marvel”.
Jack Kirby nasceu em 1917, nos Estados Unidos, começou em 1939 desenhando tiras de jornal. Steve Dikto nasceu na cidade de Johnstown, no estado da Pennsylvania nos Estados Unidos em 1927, teve sua estréia com histórias de terror para editoras pequenas  a partir de 1953.
Em 1962 Lee criou o Homem-Aranha e pediu a seus amigos que desenhem um novo tipo de herói, “cheguei a passar o Homem Aranha paras o Kirby e pedi que ele maneirasse um pouco no desenho, nada muito glamouroso. Queria que o personagem fosse um cara normal, sem ombros largos, meio fraco e com óculos. Mas na versão de kirby parecia um novo Capitão América” (Revista Homem-Aranha n° 79, 1990 – entrevista com Stan Lee). Assim se fez o personagem, criando um dos maiores símbolos das HQ’s de todos os tempos, apresentando um personagem com problemas reais, mostrando as preocupações de um adolescente normal, “O Aranhudo é um ícone da cultura pop, e com justiça. Peter Parker é um personagem fascinante, atormentado, bem tipicamente teen” (Aronovich, 2002), um personagem tão fascinante que aparece entre os primeiros em vendagem no mundo.

Figura 06. Primeiro esboço do Homem-Aranha.
 Fonte: www.omelete.com.br/ homem-aranha.asp, 2004.



 A popularidade do personagem é tanta que em 2001 foi lançado o filme que retrata as aventuras do herói, que segundo a Revista Istoé, foi um grande recordista de vendagem como já foi mostrado no capitulo anterior, quase se igualando com o grande recordista de publico e critica, Titanic, mostrando o quanto o personagem e admirado pelos fãs. Deixa claro também o poder que o personagem tem de criar novos fãs e que as HQ’s estão  abertas a um novo publico, ou seja aqueles que não liam as HQ’s começaram a se render ao magnetismo dos heróis.
As primeiras histórias do Homem-Aranha retratam a adolescência de Peter Parker, órfão de pai e mãe, criado pelos tios, um garoto tímido e retraído, sempre foi “Inteligente, se destacou na escola, mas também sempre foi renegado pelos colegas” (Petfriends, 2002), magro de óculos sem o estereótipo de um herói de quadrinhos (alto, forte e de ombros largos).
 Peter, que por ser fanático por ciência, acabou picado, por acaso, por uma aranha bombardeada por radiação durante um experimento que ele assistia. Essa picada ocasional conferiu lhe poderes de uma Aranha (força, agilidade, aderência às paredes e um sentido aguçado de prever perigos). Ao descobrir estes poderes, Peter pensou em fama e dinheiro, mas a morte de seu tio nas mãos de um assaltante que Peter deixou fugir mudou isso. Peter decidiu criar a identidade do Homem-Aranha, passando a lutar contra o crime.
Como Homem-Aranha está sempre tentando ajudar e quase sempre é confundido com um bandido. Como Peter Parker, sua vida ainda passa por muitos problemas, tendo que se ausentar em todas as ocasiões de perigo e muitas vezes sendo chamado de covarde, enquanto seu alter ego salva a sociedade.
Segundo Álvaro de Moya (Moya, 1977, p. 171), nas primeiras HQ’s, o herói não podia falhar, no caso do Homem-Aranha, toda vez em que falha, em sua vida de herói, o personagem acaba num mar de culpa, mostrando que errar é humano e também que por mais que tenham poderes espetaculares os heróis não são perfeitos.
Colocando sempre o herói entre salvar a vida de sua tia doente (a única pessoa com que ele não pode falhar por ser quem o criou dando tudo em prol do seu crescimento), sempre aparece algum inimigo querendo vingança ou ameaçando a cidade, colocando o herói em conflito interno, pois, se ele deixar o vilão fugir, muitos sofrerão e, se ele impedir o vilão sua tia morrerá, como pode ser visto na figura, entre outros, mostrando as preocupações na vida do herói, coisa que antes da década de 60, não era visto. Até a década de 60, o herói não tinha família e só vivia para ser herói. Como escreveu Álvaro de Moya, “os heróis estavam mais para a aventura do que para qualquer outra coisa” (Moya, 1977, p. 171), o mocinho não tinha namorada ou esposa, mas tinha paixão platônica geralmente por uma personagem que admirava a roupa do herói, mas desprezava o ser humano que a vestia, ou vice versa, (Teia do Aranha n° 42, 1993, p. 01).

        Figura 07. A escolha do herói, salvar a família ou a cidade.
                       Fonte: Teia do Aranha n° 42, 1993, p. 01


Colocando o herói como o ser santificado que não poderia ser maculado por experiências mundanas, ainda poderia ter sentimentos sinceros e nobres, que não poderia concretizar, pois seria colocar sua amada em risco. Tinha poucos amigos geralmente um amigo que sabia seu segredo, e juntamente com a pessoa amada era usada regularmente contra o herói que tem que salvar seus entes queridos e seu segredo ao mesmo tempo.
 O Homem-Aranha é um dos poucos personagens que têm família, que passa por problemas com seus parentes e namorada, por não poder comparecer em seus compromissos e não ter como explicar seus sumiços. Tem que se preocupar com dinheiro e suas contas e ainda está sempre perdendo emprego e perdendo aulas no colégio e posteriormente na faculdade, mostrando os problemas reais de qualquer ser humano, pois o  que acontece no mundo acaba se refletindo nas HQ’s. Com este estereótipo de herói e por acaso, um bom aluno sem popularidade e  órfão que ainda não achou seu lugar no mundo, começou as mirabolantes aventuras do Homem-Aranha.
Mostrando o lado humano do herói, as histórias foram cheias de dilemas para o personagem resolver, mostrando uma dualidade entre o herói  e o humano, tendo que escolher entre salvar uma vida ou salvar a cidade. Segundo o próprio Stan Lee, “uma das coisas mais interessantes do personagem é este sentimento de culpa que ele carrega” (DVD extra do filme),  pois este sentimento de culpa aproxima o personagem dos seres humanos, mostrando que o herói não é perfeito e que este sentimento de culpa o mantém no caminho de herói e repetindo que grandes poderes traz grandes responsabilidades. Este seria um dos ensinamentos do seu tio que morreu pelas mãos de um bandido que ele deixou escapar e que leva o personagem a se balançar pela cidade fazendo o bem e protegendo a propriedade. A preocupação do herói em não falhar e toda sua culpa por ter poderes e ainda assim não conseguir salvar a todos, como se fosse culpado por que tem poderes, pode ser visto na figura abaixo.



                               Figura 08. O sentimento de culpa do herói.
               Fonte: Teia do Aranha n° 22, 1991, p.43.


Diferentemente de outros heróis de quadrinhos, o Homem-Aranha é um personagem preocupado com os problemas reais da cidade e não com os inimigos da nação, como Capitão América que vai para guerra lutar contra os nazistas. O Homem-Aranha luta contra os ladrões de banco, batedores de carteira e os inimigos da lei e da ordem. Protege a cidade como um vigilante uniformizado como a polícia. Leva as cores da bandeira, mostrando um sentimento patriótico e está disposto a defender a honra do país. Seus autores mostram, através dos olhos do personagem, suas preocupações com a sociedade e também usam as HQ’s para protestar contra os problemas que assolam a nação, como preconceitos,  violência, drogas e, principalmente, problemas das armas dentro das cidades. Isso mostra que os autores têm uma visão de mundo, informados dos acontecimentos sociais e políticos, como deixa claro Lee em sua entrevista para a Revista Homem-Aranha (n° 79): “Temos que estar sempre alerta aos problemas do terrorismo, da miséria e do crime”, (Homem-Aranha n° 79, 1990 – entrevista com Stan Lee).
            Observa também as tendências da moda e o comportamento dos jovens e adolescentes, mostrando que histórias em quadrinhos também é informação. Deixa claro que isso não é perda de tempo e sim um formador de opinião, que sutilmente alarga o leque de conhecimentos dos leitores sobre outras culturas e ampliando no leitor a visão de realidade.
            O Homem-Aranha surgiu em um contexto de rebeldia juvenil e de um clamor de paz por parte dos jovens. Neste período, os Estados Unidos eram assolados por protestos contra o racismo, contra as guerras e principalmente pela liberdade de pensamento e expressão. Esse período conturbado também fez parte do cotidiano das HQ’s e nas histórias do Homem-Aranha não foi diferente. Por mais que o herói seja um personagem cotidiano, as guerras acabam sendo citadas em suas aventuras, pois acima de tudo as HQ’s ainda são uma       forma de mídia que também tem o papel de informar.
            Nas HQ’s do Homem-Aranha, tem se claramente a preocupação do autor em colocar o personagem em situações de protesto, mas fazendo o leitor ter uma visão de fora, colocando o personagem a favor da situação, mas nunca podendo participar ativamente, já que sempre aparece um vilão para se aproveitar da ocasião e cometer algum ato de contravenção e o herói tem que impedi-lo, como fica exemplificado em Teia Do Aranha (n° 06 ao 09). Nesta história, os colegas de Peter Parker se mobilizam para pedir a construção de um alojamento para estudantes carentes e fazem um protesto em frente a uma exposição de arte promovida pelo campus. Mas, durante a manifestação, um dos inimigos do Homem-Aranha ataca a exposição e rouba um valioso artefato e os estudantes acabam presos acusados  de cumplicidade e Peter Parker tem que salvar a todos como o Homem-Aranha mas para isso Peter tem de desaparecendo quando o inimigo chega e acaba passando por covarde perante seus amigos para poder salvá-los.
Os autores enfocam preocupações da época mostrando por exemplo um dialogo entre Joe Robertson e Randy Robertson dois personagens secundários afro-americanos, na Revista Teia Do Aranha: 
Joe Robertson argumenta com o filho Randy: Eu nunca interferi nas suas decisões, mas quando o assunto é sair da escola, aí é diferente! Um homem sem estudo e como..., e o filho interfere: Já sei! Já sei! Mas de que adianta ter sucesso num mundo de brancos? Então o pai diz: Você quer ser um militante...ótimo! Talvez a gente precise disso! Mas o nome do jogo é poder, filho e o estudo é o maior poder de todos! Eu quero o melhor pro meu povo...o melhor pra você! Há uma guerra lá fora, meu filho uma guerra contra o fanatismo, à injustiça e a miséria! É preciso armas pra entrar numa guerra! Sem estudo...você é um soldado desarmado!  O filho responde: Olha pai, eu entendo isso tudo...e sei que você venceu aqui no mundo dos brancos! Mas e os outros irmãos que seguiram o teu caminho...que pegaram o canudo...e nada? E o pai responde: Eu não estava prometendo uma utopia!(Teia do Aranha n ° 08, 1990, pp. 36 e 37)

Neste contexto da questão racial, os autores criam um diálogo entre pai e filho que não teria relevância nenhuma no contexto da história, mas o autor faz um alerta sobre o problema racial que assolava a época, também faz um alerta de que as coisas não se resolvem com violência e que a maior arma do ser humano não são as armas ou os super poderes e sim o estudo e o conhecimento. Alerta também que com estudo se podem achar soluções para os problemas e, ao mesmo tempo, faz um alerta para os leitores não pensarem que a violência exposta na época seria o melhor caminho, mostrando sutilmente os problemas da época e também os problemas da educação nos dias de hoje.
Os autores às vezes põem o herói de lado, como foi mostrado, e abordam os problemas do cotidiano, deixando o leitor com mais afinidade com o personagem, pois, como um adolescente normal, ele não tem todas as respostas e não tem que resolver todos os problemas, mas o autor se preocupa em inserir isso em um ambiente familiar ao leitor.
Muitas vezes o herói fica como coadjuvante neste tipo de situação, pois o autor não poderia influenciar a opinião dos leitores, ou seja, expõem a situação do dia-a-dia para que o leitor as identifique e formule sua opinião. Se o herói aparece lutando diretamente contra algo, está sugerindo que aquilo é errado, mas, em uma situação como a que foi citada acima, o certo e o errado não estariam nas mãos do autor por ser uma questão de valores. Essa preocupação em não influenciar a opinião do leitor fica explicitada na entrevista de Stan Lee para a Revista Homem-Aranha (n° 79). “Tentei evitar opiniões pessoais que pudessem influenciar as crianças. Nunca discuti religião ou política” (Revista Homem-Aranha n° 79, 1990 – entrevista com Stan Lee), onde ele deixa bem clara está preocupação.
Em outras situações, o herói tem umas abordagens mais claras, lutando diretamente contra problemas sociais como é mostrando na Revista Teia Do Aranha (n° 17), onde o personagem evita uma rebelião e nota os problemas de infra-estrutura enfrentados pelos detentos notando que as rebeliões se tornariam freqüentes se as coisas não mudassem. O herói faz um apelo à sociedade por meio de um programa de teve:

“Agora que tenho audiência cativa quero falar sobre outros cativos! Estou me referindo aos prisioneiros, trancados em nossas velhas e mal cuidadas prisões! Falo dos jovens infratores que são colocados junto a criminosos reincidentes... Falo do antiquado sistema que transforma as prisões em escolas do crime...Falo de homens trancados meses a espera de julgamento por falta de juizes e por insuficiência de tribunais...Crime e justiça são um problema de todos e precisam ser resolvidos antes que seja tarde demais”,(Teia do Aranha n° 17, 1991, pp. 20 e 21).

Vê-se que mostra  preocupação do autor com este problema e também anuncia através do herói, que este seria um problema eminente para a sociedade, deixando claro para o leitor a realidade e a necessidade de mudanças para o sistema penitenciário, um alerta que não foi ouvido no Brasil, pois o sistema carcerário continua com sérios problemas e com super lotação.
Outro exemplo desta preocupação para com o futuro nas HQ’s é mostrada em Homem-Aranha (n° 42). Nesta história, dois adolescentes armados invadem uma loja e o dono mata um deles. A história gira em torno do problema das armas na cidade, os personagens Peter Parker, Lance e  Joe Robertson discutem a questão das armas:
Robertson: “...que fotos, Peter! Lance: Gostaria de estar lá pra tirá-las! Peter: Não, Lance! Você não gostaria! Pode crer que não! Lance: não estou entendo o seu drama, Peter! Um velho atirou num assaltante que invadiu a loja dele! E daí? Robertson: o assaltante era apenas um menino! Lance: mas ele estava armado! Robertson: os dois estavam armados, Lance...esse e o problema! Talvez se eles não tivessem uma arma, o garoto não teria coragem de entrar na loja...e o velho teria telefonado para a policia em vez de atirar! Lance: são apenas suposições Robbie! Você acha que ninguém deveria ter permissão de usar armas? Robertson: não ! Aceito que a policia e as forças armadas usem armas, desde que saibam usá-las! Mas estatísticas  mostram que mais de trezentos mil crimes foram cometidos com armas de fogo! Lance: as pessoas estão se armando pra se proteger! Robertson: Nos pagamos impostos pro governo nos proteger, Lance! Imagine o caos que seria se cada cidadão possuísse uma arma e resolvesse fazer justiça por si mesmo! Peter: isso sem contar que a maioria dos homicídios acontece entre famílias e amigos...! Robertson: não esquecendo as crianças...? Peter: crianças? Robertson: sim, Peter, as armas são responsáveis por muitas mortes de crianças! Por esse motivo há quem defenda a proibição  de suas vendas pra particulares! Lance: proibição? Mas, e se um bandido invade sua casa, como você vai proteger sua família? Robertson: a coisa não e bem assim, Lance! Um revolver não significa necessariamente segurança! O que precisamos e de uma policia bem estruturada e que funcione! Peter: mas o povo não acredita na policia, Robbie! A imagem que vazem dela e a de que e corrupta! Robertson: Não podemos julgar o todo por uns poucos, Peter! Precisamos mostrar a população que através de pressão podemos ter uma policia integra confiável e, principalmente preventiva! Lance: mas os criminosos sempre encontraram um meio de ter uma arma! Peter: e aquele garoto, Robbie ?”, (Homem-Aranha, n° 42, 1986, pp. 06, 07 e 08). 

            Novamente o autor mostra preocupação com a situação do mundo e principalmente com o problema do armamento, uma preocupação muito vigente ainda hoje. No decorrer da história, aparecem cenas de acidentes ocorridos com armas e o herói lutando contra as armas, levando ao leitor informações e dados sobre os problemas causados pelas armas de fogo. A guerra do Vietnã é mostrada de uma forma como o herói não participa do conflito, um dos colegas de Peter Parker vai para guerra mostrando a preocupação com a guerra. Durante o período de guerra,  o personagem que vai para guerra é citado por meio de flashs, ou em uma história. Ele envia uma carta para os colegas mandando notícias, em outra história flashs durante uma perseguição mostram fatos vividos pelo personagem, em um bombardeio onde é retrata a destruição de um templo, fazendo-se uma crítica às atrocidades cometidas pelas tropas americanas durante o conflito.(Teia do Aranha n° 20, 1991).
Isto é uma das preocupações do autor com a guerra, que acaba por expor nas aventuras do herói as influências e a insatisfação do autor para com as mobilizações de guerra.
Por ser um personagem tão cotidiano, o Homem-Aranha arrasta uma legião de fãs em suas mirabolantes aventuras, colocando o leitor em contato com situações emocionantes, dramáticas e ao mesmo tempo engraçadas. Expõe o sarcasmo e o deboche do personagem aproximando a ficção da realidade, diferenciando o Homem-Aranha dos outros heróis, aqueles que só vivem para ser herói. Na figura abaixo fica retratado todo o sarcasmo e o deboche do personagem, pois nesta história o herói e indagado pelo exercito onde estaria o Hulk e o personagem responde que isso não aconteceria com Clark Kent (o Super-Man), fazendo uma clara alusão a um personagem da editora rival, personagem esse que é considerado pelos fãs um símbolo americano.

Figura 09. O sarcasmo do Homem-Aranha.
 Fonte: Teia do Aranha n° 23, 1991, p. 30

O Homem-Aranha expõe para seu leitor que um herói pode sentir medo, falhar e duvidar de si mesmo. Mostra ao leitor que o herói também pode ter família, se preocupa com aluguel e com trabalho, que e acima de tudo o herói e humano, mas um humano de um mundo de ficção, com problemas parecidos com os nossos e, por isso, o Homem-Aranha é um herói diferente, ou seja um novo tipo de herói.
            Em resumo fica clara a preocupação dos autores em demonstrar através das aventuras do herói, problemas cotidianos, e preocupações com a sociedade, dando ênfase aos apelos culturais incrustada nas histórias do Homem-Aranha. Expõem que as HQ’s são um comunicador de massas, e formador de opinião sem forçar o leitor e deixando que o leitor assimile as informações e tire suas próprias conclusões.





segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Filmes baseados em quadrinhos!

Lanterna Verde, tai um herói que eu nunca entendi direito, um cara que tem um anel que pode dar asas a todos os seus anseios, onde sua força de vontade e tudo de que se precisa, com a fraqueza pelo amarelo (o coisinha mixuruca) que ainda assim não consegue ser o mais poderoso. Bem espero que o filme desse herói, seja melhor de algumas de suas historias, no trailer já se nota que os efeitos visuais impressionam, mas ainda assim a caracterização do personagem ficou meio parecida como os bonequinhos dos comandos em ação.



sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Filmes baseados em quadrinhos!

Eis que surge em nossa sessão um deus, estou falando de Thor, depois de muito tempo menos prezado com uma caricatura mal feita nos filmes do Hulk da década de algumas décadas atrás, bem nesta nova aparição, o personagem ganha caracterização e enredo mais plausível sem contar que não esta a sobra de ninguém, o trailer parece bem emocionante com pitadas de humor e romance, sem contar as altas doses de aventura, espero que seja realmente bom, pois o personagem e os fãs merecem.



quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Isso que da ter pai nerd!

Esse vídeo virou hit na internet, onde mostra todo o amor de um pai nerd por sua filha e tecnologia, ele expõe sua filha as mais alucinantes aventuras, mas o mais legal e que ele não esquece os detalhes, tanto do prendedor de fraudas quanto dos carros de bebê. Só podemos dizer que o cara merece os parabéns pela qualidade do trabalho e também por ter uma filha tão fofa.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Filmes baseados em quadrinhos.

Aqui vai mais um filme baseado em quadrinhos, acredito que este vai conseguir retratar o universo X-Men com mais fidelidade aos quadrinhos, acredito que o legal dos quadrinhos geralmente e posto de lado no cinema para tentar retratar maior realidade, mas não podemos esquecer que quadrinhos e ficção, pois não encontramos um baixinho mal encarado com garras e muito menos uma fera peluda azul com um livro de física nas mãos. Pelo que mostra no trailer ate agora, o filme promete esta fidelidade, pois podemos notar de forma mais sutil alguns uniformes clássicos e alguma semelhança entre os personagens.

Biblioteca

Para quem gosta de se aprofundar no mundo dos quadrinhos, a recomendação é que leia este livro, um dos mais importantes livros sobre o tema escritos no Brasil. É uma leitura interessante e dinâmica, onde o universo dos quadrinhos esta documentado desde os seus primórdios, para que tem interesse ai vai à dica.

Sinopse:

Este livro traz a história de várias histórias em quadrinhos e de seus personagens, entre eles - Super-Homem, Pinduca, Minduim, Recruta Zero, Mad, Bidu, Surfista Prateado, Barbarella, Pererê, Mafalda e outros.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Embalos de Sábado a Noite

Todo nerd que se preza, ou e fã ou pelo menos já assistiu a clássica a saga star wars, e com certeza se divertiu se imaginado com um sabe de luz, ou entrando em velocidade da luz com a Millenium Falcon, ou salvando o universo do lado negro da força, bem acredito que vão gostar da parodia de um dos momentos mais marcantes da saga quando se assiste pela primeira vez, por isso estou postando essa homenagem a um clássico do cinema, mas ao mesmo tempo uma das parodia com mais presença de espírito.

Embalos de Sábado a Noite

Para inaugurar nossos embalos de sábado à noite, nada melhor do que uma musica que descreve os anseios dos nerds, que descreve tudo que o nerd sempre quis dizer, mas nunca teve espaço, onde mostra que músculos não e tudo e que cérebro é opcional, portanto acredito que vão gostar nada melhor que tratar o cotidiano com humor.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O que é um Nerd?

Estava eu feliz e contente montando o meu singelo blog, quando fui questionado de o que seria um nerd, bem me dei conta que não sabia realmente o significado da palavra nerd, pois todo nerd sabe que é, mas não sabe dizer por que, por este motivo fui pesquisar (Deus Salve a Internet), e descobri na Wikipédia, o seguinte verbete: “Nerd é um termo que descreve, de forma estereotipada, muitas vezes com conotação depreciativa, uma pessoa que exerce intensas actividades intelectuais, que são consideradas inadequadas para a sua idade, em detrimento de outras atividades mais populares. Por essa razão, um nerd muitas vezes não participa de atividades físicas e é considerado um solitário pelos seus pares. Pode descrever uma pessoa que tenha dificuldades de integração social e seja atrapalhada, mas que nutre grande fascínio por conhecimento ou tecnologia. Sendo assim, o nerd não é em todos os casos o mais inteligente ou esperto, mas aquele que se interessa por assuntos, desde conhecimentos em geral à animes e séries de ficção científica, que são ignorados pela maioria”. Esclarecida a questão vem a tona o objetivo do blog, mostrar que nos temos muito espaço no mundo, e que depois que inventaram The Big Bang Theory, o nerd pode mostrar, que estamos em todo lugar, então nerds sejam bem vindo ao nosso blog.

Filmes baseados em Quadrinhos!

Para inaugurar nossa sessão de filmes baseados em quadrinhos, nada melhor do que começar com um filme que está sendo muito comentado na net, o filme do Capitão America, e só podemos esperar que o personagem sejá retratado com o devido respeito e competência, pois por mais que suas histórias sejam monótonas, temos que dar crédito a esté ícone dos quadrinhos desde 1942, o trailer ficou bom, resta esperar o resultado final.

Histórias em Quadrinhos

Fernando Feitosa de Oliveira
Bacharel e Licenciado em História
UNIOESTE


Objetiva-se, neste trabalho, mostrar como se deu à criação das histórias em quadrinho, exemplificando seu surgimento e consolidação como formador de opinião e comunicador de massas, relatando o apelo cultural existente nas histórias, dando ênfase para as histórias de super-herói.

Há muito tempo, o homem tem vivido à sombra de lendas, mitos e histórias contadas de pai para filho sobre os feitos de reis e heróis. Com o passar dos anos, estes mitos criaram formas e imagens que auxiliaram a imaginação, ou simplesmente deram formas ou rostos para estes heróis. Vindo em auxílio disto, têm-se, a princípio, desenhos que ilustravam os feitos destes magníficos homens em pedras, madeiras, porcelanas, tapetes e em papel.

Com o aumento da população e o surgimento de grandes cidades e tecnologias, surge a necessidade de novas formas de entretenimento. Com a intenção de divertir, informar e de gerar lucros, tem-se a necessidade de criar novas formas de levar informação à população. Para isso vieram o rádio, os jornais, a televisão e, recentemente, a Internet.

De acordo com Álvaro de Moya (1996, p. 09), em seu estudo História das Histórias em Quadrinhos, no século XIX se tem as primeiras histórias em quadrinhos (HQ’s), não como nós as conhecemos hoje, mas como coleções de quadros seqüenciados, que isolados não tinham significado, mas reunidos contavam histórias. Esta técnica foi criada por Rudolph Töpffer, considerado um dos maiores ilustradores de histórias em quadrinhos. Neste início, os quadrinhos exemplificavam o cotidiano, mostrando pessoas e eventos reais ou simplesmente peraltices de crianças, transportando-se rapidamente para os jornais e periódicos (Moya, 1996, p. 09).

As HQ’s entram nos jornais como tiras semanais, indicando as aventuras de personagens humanos e do cotidiano, enaltecendo os valores familiares e, ao mesmo tempo, satirizando o dia-dia. Neste contexto, criavam-se, neste período, as histórias de protestos abordando os problemas das crianças de rua, fazendo uma crítica social relacionada a estes problemas. Segundo Álvaro de Moya (1996, pp. 137 e 138), “os quadrinhos, tal qual como os conhecemos hoje, começaram nos Estados Unidos em 1895, nos suplementos dominicais coloridos, usando a dimensão total do jornal (Standard) ou em tablóides, passando em 1907 a sair também diariamente em tiras, preto e branco. Somente em 1933-34 surgiram os comic-books em tamanho meio tablóide, com historias completas”. Esse foi o passo inicial para que as HQ’s se tornassem um veículo de comunicação próprio com linguagem própria, crescendo cada vez mais, passando por períodos de altos e baixos na questão de publicidade, mas sempre presentes contando com o talento criativo dos autores.

Ainda, conforme o autor, se nos Estados Unidos as tiras são chamadas de Comics, no Brasil, essas tiras ficaram conhecidas e passaram a ser denominadas de charges. As charges, de caráter satirizante, sempre tiveram um público considerável entre os brasileiros, o qual importou muitas HQ’s dos Estados Unidos, mas também criou personagens com base na cultura brasileira. Um dos campos mais explorados no país são as sátiras com os problemas que assolam a nação, assim como os problemas sociais e a política.

Nos jornais, as HQ’s têm um destaque maior, satirizando o cotidiano, levando aventuras aos leitores e também palavras de protesto, influenciando na formação do caráter de jovens cidadãos e, ao mesmo tempo, apresentando a realidade e criticando a sociedade. Os quadrinhos começam a levantar questões que nos remetem às problemáticas políticas, sociais, culturais e econômicas do cotidiano, levando-nos a analisar as desigualdades a nossa volta.

Em 1895, época em que as tiras, chamadas de charges no Brasil, já circulavam, as HQ’s se re-configuraram, pois tem início a primeira história seqüenciada com personagens fixos, com o personagem The Yellow Kid, de Richard F. Outcaut, pelo Sunday New York jornal, o qual retratava as aventuras de um garoto peralta que vestia um camisolão amarelo e que, muitas vezes, aparecia com palavras de protesto, como fica exemplificado na figura abaixo. Este dado do garoto protestador deu nome ao jornalismo sensacionalista (o jornalismo amarelo) que, no Brasil, ficou conhecido como Imprensa Marrom, como deixa claro Álvaro de Moya (1996, p. 17)

Nota-se que, no princípio, estas histórias “inocentes” se tornaram um comunicador de massas, chegando cada vez a mais pessoas e atingiram basicamente a elite, ou seja, pessoas que sabiam ler e tinham acesso a este material impresso. Com o tempo, estas histórias se transformaram em aventuras, inserindo neste contexto os heróis, os quais não tinham poderes. Na realidade, enalteciam os servidores públicos retirados dos contos policiais como os detetives particulares que desvendavam todos os casos e salvavam mocinhas dos perigos, dando ênfase na defesa dos valores da família e sempre respeitando e criando, assim, o conceito de heróis incorruptíveis, que não matam e estão sempre dispostos a ajudar.

Com o surgimento das histórias seqüenciadas e com personagens fixas, as tiras levavam os leitores a lugares mirabolantes e também para outros planetas, interferência da utilização da ficção científica, colocando o leitor em contato com outras culturas e outras possíveis realidades, despertando sua curiosidade.

Visando este novo campo, isto é, a ameaça alienígena ao mundo, os personagens das HQ’s começaram a defender a lei e a ordem em um âmbito maior, defendendo a humanidade das ameaças iminentes. Todas estas ameaças, muitas vezes, baseavam-se nos inimigos dos Estados Unidos, criando cada vez mais um ambiente no qual a propriedade privada e a humanidade são salvas a todo o momento por vigilantes, mostrando para os leitores que todos podem ser heróis.

Com a popularidade das tiras de jornal, os heróis ganharam o mundo, tendo a partir daí um crescimento em sua aceitação, gerando uma necessidade de mais espaço para as aventuras mirabolantes dos heróis, buscando assim, publicações próprias voltadas para as histórias em quadrinhos, os Comic Bocks, que passaram a ser chamados de Gibi no Brasil.

Como deixa claro Avi Arad, Presidente da Marvel Comics, com o surgimento dos Comics, os criadores de HQ’s têm mais espaço para criar um mundo novo e próprio, tentando mostrar um mundo igual ao mundo real, mas, ao mesmo tempo, diferente, “gibis, de modo geral, refletem o tempo em que vivemos... refletem medos, questões socioeconômicas guerras, etc” (DVD extra do filme do Hulk), expondo muitas das influências notadas nas HQ’s.

O século XX promoveu a consolidação das HQ’s como forma de arte e comunicador de massas, pois neste século é que elas tiveram sua aceitação e crescimento de fato. Também gerou muitos temas que mexeram com a imaginação dos autores, mostrando a seriedade do trabalho e revelando que o público leitor não se restringia a crianças. As HQ’s também podem ser uma forma de informação e formadoras de opinião, mesmo sendo tratadas de uma forma bem humorada e, ao mesmo tempo, crítica.

Os profissionais da área de HQ’s não tiveram dificuldades em basear suas histórias em eventos políticos, econômicos, sociais, culturais, pois o século XX foi tomado por grandes reviravoltas e problemas que assolaram o mundo em âmbito global. Temos como exemplos maiores a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), A Grande Depressão (1929) e Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Primeira Guerra Mundial (1914-1918) foi o levante imperialista executado pela Alemanha contra países europeus, ou seja como coloca Eric Hobsbawm em “Era dos Extremos”: “A primeira Guerra Mundial envolveu todas as grades potências, e na verdade todos os Estados europeus, com exceção da Espanha, os Países Baixos, os três países da Escandinávia e a Suíça”, e mais tarde os Estados Unidos, (Hobsbawm, 2001, p.31). Logo após a Primeira Guerra Mundial, os Estados Unidos financiaram a reconstrução da Europa destruída, gerando com isso um aumento de produção, a estabilização econômica da Europa gerou nos Estados Unidos um excedente de produção, que gerou uma quebra nas exportações Americanas ou seja, Grande Depressão (1929). Segunda Guerra Mundial (1939-1945) foi uma guerra global que, segundo Hobsbawm, “Praticamente todos os Estados independentes do mundo se envolveram, quisessem ou não, embora as republicas da América Latina só participassem de forma mais nominal. As colônias das potencias imperiais não tiveram escolha”, (Hobsbawm, 2001, p.31), mostrando que o mundo se uniu contra as forças de Hitler.

Estes eventos marcaram direta e indiretamente as HQ’s, pois muitos dos criadores de personagens conhecidos hoje nasceram entre a Primeira Guerra Mundial e A Grande Depressão, expondo em suas histórias detalhes que levam o leitor a identificar as semelhanças com a época, como por exemplo as roupas. Mas muitos heróis foram criados durante a Segunda Guerra Mundial, surgindo para combaterem na guerra.

Esses foram alguns dos exemplos que deram aos criadores a sensação de que o mundo precisava ser protegido e que o povo precisava de alguém que zelasse por sua segurança, nos tempos de crise, e não mais meros policiais ou agentes secretos, pessoas comuns, mas sim seres com superpoderes capazes de realizarem coisas que nenhum humano seria capaz de fazer e que, acima de tudo, dessem sua vida para salvar o próximo e proteger a liberdade.

Para suprir estas necessidades, geradas pela humanidade, e muito bem aproveitadas pelos Comics, surgiram os heróis da ficção, figuras com poderes deslumbrantes, com forças sobre-humanas, capazes de derrubarem paredes, de pararem projéteis ou com inteligência que poderia resolver qualquer problema para modificar o mundo ou torná-lo melhor.

Seguindo este novo estilo de literatura, os super-heróis têm um aumento de popularidade, conseguindo atingir um número maior de pessoas e tornando-se um importante comunicador de massas, mostrando o modo de vida americano ou simplesmente satirizando preceitos da sociedade, acostumada a ver os heróis da ficção sempre combatendo os inimigos da nação e os problemas do País.

Consolidando esta nova tendência surgiu, Flash Gordon (1934) de Alex Raymonde, personagem que vai para o espaço para salvar o mundo e acaba vivendo aventuras inimagináveis em um planeta longínquo e Mandrack (1934) de Lee Falk e Phil Davis, personagem nitidamente inspirado no mágico Holdini, que utilizando se de poderes mágicos para solucionar crimes para a polícia, transformando as histórias para deixá-las mais emocionantes e imprevisíveis.

Mas o grande sucesso dos quadrinhos ainda estava por vir, pois, com a aproximação de uma guerra, o então presidente Roosevelt foi a público e pediu aos criadores de HQ’s que criassem mais heróis, pois a América necessitava de outros heróis para combater os nazistas e salvar o mundo, e não tardou para ser atendido, pois esta se tornou um dos marcos das histórias dos quadrinhos, (Moya, 1996 p. 131). Em 1938, surgiu Superman, personagem de Jerry Siegel e Joe Shuster que não demorou muito para se tornar “um dos maiores mitos do mundo contemporâneo, igualando-se à mitologia grega” (Moya, 1996, p. 128). Superman não tardou em atender o pedido do presidente e ir ao campo de batalha ao lado dos aliados.

Outros personagens, criados para esta situação, foram Batman (1939) de Bob Kane, Namor, O Príncipe Submarino (1939) de Bill Evereste, Tocha Humana (1939), de Carl Burgos e um dos símbolos do patriotismo Norte Americano, o Capitão América (1941), de Jack Kirby e Joe Simon (Moya, 1996, pp. 129, 135, 136e 143).

O Namor, em especial, aparecia em suas histórias como inimigo dos Estados Unidos, sendo combatido pelo Tocha Humana. Mas, com a ameaça nazista, juntaram forças para combater um inimigo comum, mostrando que assim como os países europeus, eles também podiam pôr suas diferenças de lado, assim como a Inglaterra e a URSS, servindo, de certa forma, como exemplos para a humanidade.

Neste período, as HQ’s são utilizadas como propaganda de guerra, sendo que o público alvo das histórias eram os adolescentes à procura dos seus lugares no mundo. Ao verem os heróis dando a vida para salvar o mundo das ameaças do nazismo/fascismo, poderiam acabar por decidir lutar por o que era chamado de uma causa nobre, ir para guerra e se tornar herói como os da ficção, crendo ajudar salvar o mundo.

No entanto, as propagandas de guerra não pararam por aí. As histórias eram mandadas para as frentes de batalha para incentivaram os soldados a combaterem, também para mostrar que eles não estavam sozinhos nesta luta contra o mal representado pelos nazistas.

Como incentivo maior, foi criado, em 1941, o Capitão América, por Jack Kirby e Joe Simon. Este personagem tinha como missão ir para guerra e defender os Estados Unidos. Em Capitão América: “A Saga da Lenda Viva dos Quadrinhos”, uma edição especial comemorativa dos 50 anos da criação do herói, onde se pode ver o personagem no campo de batalha durante a Segunda Guerra, onde se nota que o herói não utiliza armas de fogo, mas está na linha de frente como se a primeira linha de ataque, como que obrigatoriamente um soldado americano tivesse que ter coragem e lutar bravamente como o Capitão América, (Marvel Especial n ° 10, 1990, p. 26).

Suas roupas eram das cores da bandeira norte-americana e trazia nas mãos um escudo, que na verdade era um objeto de defesa, mostrando que a América entrou na guerra para se defender dos nazistas e não para atacar, como sempre preconizam os Estados Unidos ao entrarem ou promoveram uma guerra.

Com isso se inflama ainda mais o ultrapatriotismo americano, isto é, o herói Capitão América simboliza, pelo marketing das HQ’s, a América justa e disposta a defender a humanidade.

Segundo Álvaro de Moya, com o fim da guerra, as histórias de super-heróis têm uma queda substancial. No entanto, reerguiam-se e reerguem-se sempre que o país precisa e precisava de heróis, ou seja, quando há prenúncios de nova guerra, (Moya, 1996).

Nestes períodos de guerra, as propagandas continuam usando os inimigos da nação como inimigos do mundo. Avi Arad conclui, também, que “a década de 50 provou ser um desafio criativo o para a Marvel por questões do pós-guerra, como o comunismo e armas nucleares” (DVD extra do filme do Hulk). O comunismo foi muito utilizado, pois, sem os nazistas, os soviéticos tornaram-se os inimigos da nação e a questão nuclear ajudou na criação de diversos personagens.

Porém, pode-se destacar, na década de 60, o surgimento de personagens e histórias novamente cotidianas, em que os heróis têm problemas pessoais, vida pessoal e apresentam outras preocupações, além de salvarem o mundo. Isso reaproximou os super heróis do público adolescente.

Percebe-se, nestas histórias, que o herói deixa de ser perfeito para se tornar humano, tendo o direito de sentir medo, de duvidar de si mesmo, e, principalmente, de errar e de falhar, coisas inaceitáveis com os antigos heróis. Estes novos heróis foram criados durante a popularização das armas nucleares, que muitas vezes eram atingidos por radiação como nas histórias do Incrível Hulk ou por algum tipo de acidente de pesquisas, como nas histórias do Homem-Aranha, (Origem dos super-heróis Marvel n° 07, 1998, p.95).

Nesta nova leva de super-heróis humanos e cotidianos, surgiram personagens como: O Homem-Aranha (1962), de Stan Lee e Steve Dikto. O Homem-Aranha é um herói do cotidiano, ambientado em uma única cidade, sem se envolver muito com fatos que ocorrem fora do seu dia-dia.

Apareceram também os X-Man, personagens que vêm enaltecer as diferenças do ser Humano. Apresentam pessoas que nascem com poderes especiais, sofrem preconceitos por serem diferentes, como os negros e judeus, explorando problemas de racismo e mostrando que este problema ainda persiste.

Com esta fórmula utilizada pela Marvel, de ambientar suas histórias em cidades reais, abriu-se o precedente para mostrar fatos reais utilizando-se eventos políticos, ou tragédias, como foi feito em “Homem-Aranha: Em Memória da Tragédia do 11 de Setembro”.

Segundo a página Brasilescola da Internet, no 11 de setembro de 2001, “dois aviões derrubaram as torres gêmeas do complexo de World Trade Center, em Nova Iorque. Outro avião se chocou contra o Pentágono e um terceiro, que se dirigia provavelmente para Washington, foi abatido perto de Pittsburg. O mundo ficou estarrecido, uma vez que os atentados nos EUA foram transmitidos pela televisão, ao vivo, e assistidos por pessoas de todos os países” (Brasilescola, 2003). Foi o ataque terrorista mais ousado contra os Estados Unidos, no qual derrubou um dos maiores símbolos do capitalismo, marcando o país mais poderoso do mundo, não só com muitos mortos e feridos, mas com o medo de um novo ataque.

Nesta história, o herói vê a tragédia e não pode fazer nada, mostrando que nem todos os poderes do mundo poderiam mudar ou prever as ações do ser humano. Coloca, também, os heróis ao lado dos bombeiros e para-médicos, mostrando os heróis da vida real que juntamente com os policiais que mesmo sem poderes arriscaram suas vidas para servirem e protegerem.

Segundo Stan Lee, “os anos 60 foram a grande época” (DVD extra do filme do Hulk), pois foi um período em que houve as grandes mudanças nas estruturas e enredos das histórias. Estas mudanças ficam claras com a inserção dos personagens de HQ’s na TV, com desenhos próprios e depois com seriados, contando suas histórias e feitos, chegando a um público ainda maior.

No fim da década de 70 e início da década de 80, os quadrinhos ganharam mais espaços no cinema, gerando um público ainda maior, com mudanças nas histórias e nos personagens, mudanças essas para transformar filmes em uma forma comercial de gerar lucros. Mas o grande momento dos quadrinhos no cinema foi a partir do ano 2000, pois grandes promoções foram feitas e levaram multidões aos cinemas para verem os heróis salvando vidas, principalmente depois do 11 de setembro de 2001.

Um exemplo disso é o Homem-Aranha. A popularidade do personagem é tanta que em 2001 foi lançado o filme que retrata as aventuras do herói. Segundo a Revista Istoé, “Liderados pelos dois episódios de Homem-Aranha, que juntos arrecadaram mais de 1,5 bilhões de dólares, os quadrinhos tomaram de assalto às telas. Para que se tenha uma idéia do que isso significa, o mega campeão Titanic empacou nos 1,85 bilhões de dólares”,(Revista Istoé n° 1864, 6/7/2005), mostrando o quanto o personagem é admirado pelos fãs.

Com isso, marcou-se uma nova era para os quadrinhos que deixaram de se restringir às páginas de suas revistas para se aventurarem nas telas do cinema, mostrando toda sua credibilidade como formadores de opinião, mídia e principalmente como comunicadores de massas.

Fica claro que no decorrer das HQ’s, desde sua criação até os dias de hoje, elas passaram por altos e baixos, mas continuaram sempre levando alegria, aventura e principalmente informações para seus leitores. E agora, com toda tecnologia á disposição, suas aventuras ganham as telas de cinema levando o mundo dos super heróis a um público ainda maior, gerando um crescimento de popularidade para as HQ’s e deixando bem claro que elas estão em um de seus melhores momentos.

Isso demonstra o quanto as HQ’s evoluíram até chegar à credibilidade que têm nos dias de hoje, atingindo um vasto público, mas sempre mantendo a essência dos heróis, sendo aqueles que estão nos seus lugares para protegerem e salvarem vidas, sempre dispostos a sacrificarem suas próprias vidas em troca das vidas de inocentes.

Ao observar a evolução das HQ’s, nota-se que elas passaram por vários estágios até chegarem no que são hoje, passam por peraltices de crianças, protestos conta o sistema, aventuras de detetives, viagens espaciais, heróis de guerras e heróis cotidianos, sempre levando informação e entretecimento.

Pode se concluir que as HQ’s evoluíram com a sociedade, mostrando um crescimento cultural e intelectual das histórias, expondo o cotidiano ou a ficção, mas sempre com o papel de entreter e informar.